terça-feira, 6 de março de 2018

NÃO AMAR O MUNDO


“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.” (I Jo. 2:15–17)

Aqui está uma advertência acerca do mundo e de todos os seus caminhos falsos.

A palavra mundo não é usada aqui para se referir ao planeta no qual vivemos ou à natureza ao nosso redor.
Antes descreve o sistema criado pela humanidade na tentativa de ser feliz sem Cristo.
Pode incluir a cultura, a ópera, a arte, o ensino, em resumo qualquer âmbito em que o Senhor Jesus não é amado nem bem-vindo.

Alguém definiu o mundo como: “A sociedade humana na medida em que esta é organizada com base em princípios errados e caracterizada por desejos desprezíveis, valores falsos e egoístas.”

  • O que é o mundo? 
O mundo é a organização, a mente e a perspectiva da raça humana quando ela ignora Deus e não o reconhece.
Ela vive uma vida independente de Deus, uma vida baseada apenas na realidade mundana do dia a dia.
É uma perspectiva que gira em torno da rebeldia contra Deus e o afastamento d’Ele.
É, em outras palavras, a maneira típica do viver das pessoas de hoje, que em geral nunca pensam em Deus, mas pensam somente no viver cotidiano desse mundo.
Pensam em termos do aqui e agora e são governadas por certos instintos e desejos.
É a perspectiva inteira de uma vida que deixa Deus de fora.

A palavra MUNDO é muito usada no Novo Testamento e o apóstolo João faz largo uso dela.
A palavra mundo no grego clássico é KOSMOS, e é usada em três sentidos diferentes:

Como universo material, o mundo todo, esta terra: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas.” (At. 17:24)

Como os habitantes do mundo: “O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu.” (Jo. 1:10)

Como a raça inteira dos homens separados de Deus e hostis ao evangelho de Jesus: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim.” (Jo. 15:18)

É como coisas e assuntos mundanos, todo o círculo de bens, talentos, riquezas, vantagens e prazeres mundanos que embora vazios e transitórios, excitam nossos desejos e nos afastam de Deus, sendo, pois obstáculo à sua Obra.  

  • Deus criou o universo
          “No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas                    sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.” (Gn. 1:1-2)

No princípio Deus criou o universo (Kosmos) e a terra fazia parte deste universo, nela Deus colocou o homem que era puro e inocente.
Não se vê nenhuma menção acerca do “mundo”, como o conhecemos hoje, neste universo criado por Deus.
No entanto, quando o homem pecou contra o Senhor, através de sua desobediência, o inimigo encontrou a porta aberta para introduzir no universo criado por Deus e na vida do homem, o seu sistema mundano de coisas que foi se desenvolvendo com o passar do tempo, progredindo em direção ao seu próprio interesse até chegar ao estado que se vê hoje em dia.
Assim o adversário criou um sistema de coisas cujo príncipe e soberanos é ele mesmo.

No livro de Gênesis não encontramos no Jardim do Éden qualquer menção à tecnologia ou instrumentos mecânicos.

Após a queda, porém, vemos surgir entre os descendentes de Caim alguém lidando com instrumentos cortantes de ferro e bronze.
Depois outro começa a desenvolver a música e as artes, e ainda outro envolvido com a agricultura e a pecuária.
“Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro; a irmã de Tubalcaim foi Naamá.” (Gn. 4:20–22)

  • As bases ou fundamentos deste sistema mundano criado pelo adversário.
 Tudo que o mundo tem pode ser descrito como:

A concupiscência da carne
A concupiscência da carne refere-se aos apetites sensuais do corpo que procedem da nossa natureza perversa.

A concupiscência dos olhos
A concupiscência dos olhos aplica-se aos desejos malignos suscitados por aquilo que vemos.

A soberba da vida
A soberba da vida é o anseio pecaminoso por proeminência e glória.

Estas três formas de opressão são usadas pelo inimigo desde o princípio até os dias de hoje para prender o homem e escravizá-lo no seu sistema.

A Bíblia mostra que no Jardim do Éden o inimigo procurou envolver Adão e Eva nestas três coisas, e obteve êxito.

“Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.” (Gn. 3:1-5)

Esses três elementos da mundanidade são exemplificados no pecado de Eva.
“Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu.” (Gn. 3:6)
A árvore era boa para se comer: A concupiscência da carne.
Era agradável aos olhos: A concupiscência dos olhos.
Era desejável para dar entendimento: A soberba da vida.

Mais tarde, tentou fazer o mesmo com o Senhor Jesus e foi derrotado.
“A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mt. 4:1-4)      A concupiscência da carne

“Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.” (Mt. 4:5-7)     A concupiscência dos olhos

“Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt. 4: 8-10)    A soberba da vida

“Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram.” (Mt. 4:11)
Assim como o diabo se opõe a Cristo e a carne é hostil ao Espírito, o mundo é contrário ao Pai.
A sensualidade, a cobiça e a ambição não procedem do Pai, mas sim do mundo.
A mundanidade é o amor pelas coisas passageiras nas quais o coração humano jamais encontrará satisfação.

Hoje em dia tudo no mundo gira em torno destas três coisas fundamentais.
O inimigo mantém o homem escravizado dentro de uma ou de todas estas esferas, as quais por sua vez se apresentam através de facetas múltiplas, compondo assim um sistema hostil e de tendências contrárias a Deus e à sua vontade.

O Senhor nos alerta solenemente:
“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.” (I Jo. 2:15-16)
Somos explicitamente advertidos a não amar o mundo nem as coisas que estão no mundo, pelo simples motivo de que o amor pelo mundo não é compatível com o amor pelo Pai.

Tudo que existe neste sistema, por mais inocente que pareça ser, pertence ao mundo e está sendo controlado pela mente do inimigo.
Se fizermos um exame minucioso, vamos descobrir que coisas tais como: música, artes (teatro, cinema, pintura, etc.), religião, educação, ciências, etc. fazem parte do sistema mundano e caminham numa direção oposta ao Senhor e favorável ao adversário.

Ora, o mundo passa, bem como sua concupiscência.
Os investidores prudentes não depositam dinheiro num banco prestes a quebrar.
Os construtores inteligentes não edificam sobre uma fundação instável.
Os sábios não vivem para o mundo que passa.
Aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.
É a vontade de Deus que nos livra da tentação das coisas passageiras.

  • Como escapar deste mundo 
É através da salvação que nós escapamos do mundo.
Para muitos salvação significa livramento do inferno para viver no céu, ou libertar-se do pecado para viver em santidade.
Mas salvação significa algo mais além do que isto.
A salvação é algo dinâmico, que deve se renovar a cada instante.
Não se trata simplesmente de uma questão de inferno evitado ou de pecados perdoados, mas precisa ser encarado mais em termos de um sistema do qual saímos.
Quando somos salvos, fazemos nosso êxodo de um mundo inteiro cujo dominador é o próprio adversário, para outro cujo Senhor é Jesus.
“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor,” (Cl. 1: 13)

  • O exemplo do povo de Israel no Egito, que é tipo do mundo. 
Eles foram literalmente tirados de lá pela mão de Deus, para caminharem em direção à Terra Prometida.
Já no deserto o Senhor se revelou e com eles fez aliança.
Muitos morreram no deserto porque mantiveram seus corações no Egito.
Somente aqueles que saíram de fato, conseguiram se salvar realmente.
Desta forma entendemos que salvação significa sair deste domínio, deste sistema corrupto e organizado que se opõe à Obra do Senhor.

Muitos hoje confessam que creem em Jesus, mas permanecem totalmente ou parcialmente envolvidos com o mundo, refugiando-se numa religião sem perceber que ela mesmo faz parte deste sistema, pois onde quer que o poder natural do homem domine, existe neste sistema um elemento sob a inspiração do inimigo.

O apóstolo Paulo disse:
“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm. 12:2)

Salvação é isto; é não pertencer ao padrão de coisas do adversário, é colocar o coração naquilo que é de Deus, é tomar como objetivo seu propósito eterno em Jesus, é caminhar para este propósito e ser liberto a todo instante do domínio e influência do mundo e de tudo o que nele há, pois o mundo passa, e a sua concupiscência; mas o que faz a vontade de Deus permanece para sempre.

A verdadeira igreja é aquela que foi chamada para fora do mundo, isto é, foi separada do sistema mundano para pertencer e servir ao Senhor Jesus.

Devemos sempre nos lembrar de que as coisas do mundo, essa era atual, não vão durar para sempre. João nos convida a pensarmos sobre onde está o nosso amor, mas talvez o mais crucial não é apenas nos auto-avaliarmos, mas fazermos a seguinte pergunta: o amor do Pai está em nós?

Você tem o amor do Pai?
Então declare:
“Senhor, para este mundo não volto e não desejo nada dele. Eu quero a Tua vontade, por que Te amo.”

Amem!!!

segunda-feira, 5 de março de 2018

A EXPERIÊNCIA DO PROFETA JEREMIAS

“Palavra do SENHOR que veio a Jeremias, dizendo: Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás as minhas palavras. Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas. Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu. Então, veio a mim a palavra do SENHOR: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? — diz o SENHOR; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” (Jr. 18:1-6)

Deus trabalha nas nossas vidas, quando nos dispomos a descer a Casa do Oleiro e entregar ao Oleiro tudo o que somos.
Ele é capaz de nos desmanchar e nos refazer, de acordo com os propósitos que Ele tem para cada um de nós.
A Palavra de Deus diz que os propósitos de Deus são maiores que os nossos sonhos e desejos.
“Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do SENHOR permanecerá.” (Pv. 19:21)
O propósito de Deus sempre prevalecerá!
O segredo é entender que somos barro, prontos para sermos moldados até que se revele em nós o vaso que o Senhor sonhou.
O profeta Jeremias foi chamado a descer à casa do oleiro para receber uma mensagem de Deus para a nação de Judá.
Ali ele viu o oleiro trabalhando sobre as rodas, moldando o barro e fazendo dele um vaso novo.
O vaso havia se estragado nas mãos, mas em vez do oleiro jogar o vaso fora, fez dele um vaso novo.

Podemos tirar preciosas lições desta experiência do profeta Jeremias:

                      I.        Deus não desiste de você, mesmo quando você falha em cumprir seu propósito
“Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.” (Jr. 18:4)

O oleiro não jogou no lixo o vaso que se lhe havia estragado nas mãos.
Ele não o colocou num canto como algo imprestável.
Ele não desistiu desse vaso, mas fez dele um vaso novo.
Assim, também, Deus não desiste de você.

Mesmo quando você se torna como um barro sem liga ou como um vaso estragado, Deus continua investindo em sua vida.
Ele não abre mão de fazer de você um vaso novo.
Deus não desiste de fazer um milagre em sua vida.
Ele não abdica do direito que tem de fazer de você um vaso de honra, um vaso útil, preparado para toda boa obra.
Mesmo quando você cai, fracassa e se desvia, Deus não considera você como sucata imprestável.
Ele não olha você com desprezo.
Como oleiro divino, ele investe em sua vida e transforma você, para que você cumpra os propósitos eternos que ele mesmo estabeleceu para sua vida.

                    II.        Deus não faz apenas remendos em sua vida; ele faz de você um vaso novo
“Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.” (Jr. 18:4)

O oleiro não remendou o vaso que se lhe havia estragado nas mãos.
Ele não se contentou com meias medidas.
Ele fez um vaso novo.
A obra de Deus em você é completa.
Ele faz de você uma nova criatura.
Ele não quer apenas uma reforma externa, um verniz de aparência.
Ele quer dar-lhe uma nova vida, uma nova mente, um novo coração, uma nova família, uma nova pátria.
Deus tem para você uma vida nova, com novos gostos, novas preferências, novos alvos, novos sonhos, novos compromissos.
A vida com Cristo é novidade de vida.
É vida santa, é vida no altar, é vida cheia do Espírito, é vida abundante, maiúscula, superlativa, eterna.
A obra de Cristo em você é um milagre extraordinário.
Portanto, você deve despojar-se dos trapos da murmuração e revestir-se com as vestes de louvor.
Você deve largar para trás o espírito angustiado e cobrir-se com roupagens de louvor e óleo de alegria.

                   III.        Deus não faz de você um vaso segundo ao seu querer, mas um vaso segundo o Seu propósito soberano
“Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.” (Jr. 18:4)

Deus fez do vaso que se lhe havia estragado nas mãos um vaso novo, segundo bem Lhe pareceu.
A obra de Deus em você não é conforme os ditames da sua vontade, mas conforme os propósitos soberanos do próprio oleiro divino.
Deus tem o melhor para você.
Os planos de Deus para a sua vida são mais elevados do que os seus próprios sonhos.
O projeto de Deus para a sua vida são mais altaneiros que os seus próprios projetos.
A vontade de Deus e não a sua deve prevalecer em sua vida.
Ele é o oleiro, e você o barro.
Não é o barro que manda no oleiro; é o oleiro que molda o barro.
O oleiro tem o direito de fazer do barro o que lhe aprouver.
O oleiro divino que molda você é o mesmo que espalhou as estrelas no firmamento e o mesmo que lançou os fundamentos da terra.
O oleiro divino está empenhado em esculpir em você a beleza de Jesus.
Seu projeto eterno é transformar você à imagem do Rei da glória.
Ele lhe predestinou para você ser conforme à imagem do seu Filho.
Deus jamais desistirá desse projeto.
Seus planos não podem ser frustrados.
Se preciso for, ele vai quebrar o vaso e fazê-lo de novo.
Mas, jamais vai desistir de fazer de você, um vaso de honra.

Não importa se até aqui sua vida foi como um rio contaminado, o Senhor quer fazer de você um manancial de águas vivas!

Para isso você precisa afirmar sua fé em Deus com um coração quebrantado, se arrependendo de todo pecado, se sentindo mau por ofender ao Pai através das suas atitudes, confessando e renunciando cada transgressão, perdoando aos que te ofenderam e clamando pela misericórdia para que Deus te limpe, te unja e te faça como um vaso novo em Suas mãos.

É tempo de rompermos com toda contaminação, de nos submetermos a Deus e de resistirmos ao diabo, e assim ele fugirá de nós.

Amém!!!

A EXORTAÇÃO


“Então, os que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão se espalharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor. A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia. Tendo ele chegado e, vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor. Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor. E partiu Barnabé para Tarso à procura de Saulo; tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.” (At. 11:19-26)

Exortar significa, exercer influência sobre a vontade e as decisões de outrem com o intuito de conduzi-lo a um padrão de comportamento geralmente aceito; encorajá-lo a observar certas instruções.
Exortação é também uma palavra que quer dizer encorajar ou dar conforto aos outros.
Sua raiz grega significa "chamar para o lado" e nos dá a imagem de alguém chamando o outro para vir para o lado, a fim de fortalecê-lo e restabelecer sua confiança.
É a mesma raiz da qual se deriva um nome do Espírito Santo: o Consolador.
Simplificando, exortar é encorajar, estimular ou consolar.

Houve um homem na Bíblia chamado José, a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé, que significa “encorajador” ou “filho da consolação”, sobre quem desejamos ministrar.

                      I.        A Exortação e o Caráter Cristão
            “Tendo ele chegado e, vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos a que, com firmeza            de coração, permanecessem no Senhor.” (At. 11:23-24)

A arte de encorajar ou de consolar as pessoas em meio às lutas, está intimamente associada ao caráter cristão.
Barnabé era um estimulador de vidas porque era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé.
Deus, que ama perfeitamente as pessoas e deseja o sucesso delas, agia livremente através desse homem para estimular o crescimento dos novos crentes.
A passagem acima mostra a ação de Barnabé para com os de Antioquia que haviam acabado de receber a Palavra de Deus.
O texto revela que ele exortava a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor.
O novo crente está sujeito a dúvidas, crises, desânimo e insegurança. Barnabé, certamente, agia de forma eficaz nessas e noutras áreas trazendo sempre palavras de encorajamento que edificavam.
O resultado desse trabalho foi que muita gente se uniu ao Senhor.

Quando buscamos o amadurecimento cristão através do enchimento do Espírito Santo e da Palavra de Deus, temos melhores condições de exercer o ministério da exortação.
A bondade divina fluirá através de nós para fortalecer os que necessitam de ânimo e de encorajamento.

Você tem identificado as marcas da bondade, do Espírito Santo e da fé em sua vida que o habilitem a ser a um exortador eficaz?

                    II.        A Exortação e o Pastoreamento
            “Mas Barnabé, tomando-o consigo, levou-o aos apóstolos; e contou-lhes como ele vira o Senhor no caminho, e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de       Jesus.” (At. 9:27)

O ministério de exortação tão rico na vida de Barnabé permitiu-lhe ajudar um jovem pregador da Palavra de Deus.
Paulo havia se convertido há pouco tempo, tendo contra ele, porém, um péssimo histórico de perseguição à igreja de Deus.
Agora ninguém confiava nele pois tinham medo que ele fosse um traidor no meio dos cristãos.
No entanto, Barnabé teve o discernimento de que aquele homem era sincero em sua profissão de fé, e então, confiou nele e se dispôs a interceder em seu favor junto aos apóstolos da igreja.
Enquanto todos repeliam Paulo, Barnabé o tomou consigo.
Paulo precisava de alguém que lhe desse um voto de confiança e uma palavra de estímulo em meio ao descrédito sofrido.
Foi aí que o ministério de exortação mais uma vez se demonstrou eficaz.
Paulo foi encorajado a permanecer firme no caminho e se tornou o maior de todos os apóstolos, alcançando todo o mundo de sua época com a mensagem do evangelho.

Todos nós tivemos um passado sem Cristo.
Precisamos de pessoas que nos vejam como novas criaturas e que nos ajudem a esquecer das transgressões do passado. Importa que sejamos assim também para com os que se aproximam de Deus, sempre acreditando que eles podem mudar e amadurecer em Cristo.

Você poderia citar o nome de pelo menos três pessoas a quem tem “tomado consigo” para pastorear, acompanhar e estimular na carreira cristã?

                   III.        A Exortação e a Restauração
            “Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se. Então, Barnabé, levando consigo a     Marcos, navegou para Chipre.” (At. 15:39)

Barnabé e Paulo estavam juntos servindo ao Senhor pregando o evangelho pelo mundo.
Nessa ocasião, chegaram a discutir sobre quem levariam com eles na nova jornada missionária.
Barnabé queria levar Marcos, um jovem que havia desistido da obra no passado; Paulo não concordava com a idéia e por isso se separaram.
Entre acompanhar alguém que já estava pronto e voltar para buscar quem precisava de restauração, Barnabé não teve dúvidas, escolheu a última opção.
Ele e Marcos seguiram para Chipre.

Pedro e o próprio Paulo reconheceram, no futuro, o valor daquele jovem até então desprezado.
Ele se tornou útil ao Senhor por causa do ministério de exortação desenvolvido por Barnabé.

Os benefícios da exortação não se restringem a uma única pessoa.
O pastoreamento de Paulo resultou na pregação para o mundo de sua época.
A restauração de Marcos serviu de apoio para o ministério dos mais influentes apóstolos daquela geração.

Em nossos dias, o ministério da exortação mútua continua sendo de importância fundamental.

Por um instante, peça ao Espírito Santo para lhe mostrar quais são as pessoas que necessitam de restauração.
O que você pode fazer acerca delas?
Pergunte a si mesmo se você não tem preferido seguir com os que estão “prontos” em vez de recuar para buscar os que “ficaram para trás”.

“Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.” (Hb. 3:12-13)

Precisamos sempre ser exortados por alguém que Deus colocou ou colocará para falar na nossa vida, assim como precisamos exortar outros.
Deus quer usar você para ser um Calebe ou Barnabé e assim falar na vida de alguém que Deus confiou para você cuidar ou apenas abençoar!
Um Calebe ou Barnabé sempre andará e será fiel ao seu líder!

Amém!!!

quinta-feira, 1 de março de 2018

A HIPOCRISÍA CRISTÃ

“Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível. Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar-se, temendo os da circuncisão. E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gl. 2:11-14)

A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui.
A palavra deriva do latim “hypocrisis” e do grego “hupokrisis” ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico).
Essa palavra passou, mais tarde, a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos.
  
Na carta do apóstolo Paulo aos Gálatas, os cristãos que viviam na Galácia.
Nela Paulo conta de um encontro que teve com o apóstolo Pedro, e conta como foi necessário repreendê-lo. dizendo assim:

“Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível. Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios;” isto é, cristãos não judeus.
" quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar-se, temendo os da circuncisã.", isto é, os judeus convertidos a Cristo que achavam que ainda deviam obedecer a Lei do Antigo Testamento.

Paulo continua: "E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?”

Você já percebeu que havia uma diferença de opiniões aí.
Os judeus que se convertiam a Jesus queriam continuar seguindo os mandamentos do Antigo Testamento, guardando o sábado, dando o dízimo, circuncidando seus filhos etc.
Tudo isso tinha valido para Israel, mas agora eles eram Igreja.
A carta aos Gálatas é uma carta dura, porque os próprios cristãos da Galácia tinham caído nesse engano de acreditar que a salvação vinha pela obediência aos mandamentos.

Aqui Paulo conta como repreendeu particularmente o apóstolo Pedro por agir com hipocrisia.
Pedro conhecia a verdade e entendia a diferença, mas com medo de desagradar os judeus convertidos que insistiam na manutenção da velha ordem de coisas, Pedro se afastava de seus irmãos gentios quando seus irmãos judeus estavam por perto.
E ainda por cima queria obrigar os gentios a viverem como judeus quando ele próprio, Pedro, já não vivia mais assim.

Pedro era um homem como qualquer um de nós; não tinha nada de infalível e estava sujeito às mesmas fraquezas e hipocrisias às quais eu e você estamos sujeitos.

Você já quis parecer o que não é só para impressionar? Eu também e Pedro idem.
Você já mandou alguém viver de determinada maneira quando você mesmo não vivia assim? Eu também e Pedro idem.
Portanto, se tiver que olhar para alguém como seu exemplo, olhe para Jesus.
Esse nunca falhou.
Esse nunca foi hipócrita.
Esse nunca decepcionará você.

Eu, você e todos os seres humanos que já passaram ou estão passando por este planeta somos falhos, e é por isso que não há salvação em nenhum outro além do Filho de Deus.
Deus não encontrou um sequer que pudesse morrer pelos pecados do mundo, por isso enviou o Seu Filho e é nele que você deve crer.

O que é um hipócrita?

Um hipócrita é uma pessoa que finge e exibe uma religião sem servir a Deus de coração.
O evangelho de Mateus fala do povo que limpava o exterior da taça mas deixava o interior sujo.
Eles eram como sepulcros caiados, que pareciam belos e adornados, mas por dentro estavam cheios de ossos de mortos e imundície.
Jesus disse: "Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade." (Mt. 23:28)

Há muitos religiosos hipócritas, homens que tentam impressionar os outros com uma fina camada externa de santidade, mas se o interior for visto, ali há pensamentos impuros e motivos impróprios.
A religião hipócrita não alcança favor diante de Deus.

Por outro lado, alguns creem que evitar a hipocrisia justifica o pecado.
Eles serão abertamente irreligiosos e pecaminosos, dizendo que não são hipócritas quanto a isso, e que não vão afirmar ser o que não são.
De algum modo enganam a si mesmos ao pensarem que há algum mérito especial no pecado aberto.
Certamente, não se deve louvar alguém quando ele não tem bastante desejo de agradar a Deus para, pelo menos, servi-lo exteriormente.
É errado ser pecador por dentro enquanto se reveste de uma aparência externa de retidão.
Mas não é nada melhor deixar a demonstração e ter um exterior pecaminoso também.
O homem tem que limpar o interior e o exterior, tanto um como outro.
É de dentro para fora e não ao inverso.

Se Pedro conseguisse obter o favor de Deus pelas observâncias judaicas, então Cristo morreu em vão.
Literalmente Ele jogou fora sua vida.
Cristo morreu porque não havia outra maneira de o homem obter justiça, nem mesmo por guardar a lei.
A heresia mais profunda é a salvação pelas obras, pois corrompe igrejas, faz levedar os credos com ideias loucas e enche o coração humano de vaidade.
A raiz de toda facção e heresia sofrida pela Igreja Cristã originou-se do esforço de ganhar a salvação em vez de aceitá-la.

Quem muito se enaltece, se elogia, se proclama ou que exagera suas qualidades, bons atributos ou bravos feitos, ou seja, conta muita vantagem, é justamente um mentiroso e hipócrita.
Daquilo que muito fazem propaganda é justamente naquilo que pecam mais e com muita frequência.
Devemos desconfiar de atitudes e comportamentos muito extremistas ou muito desproporcionais, pois uma das artimanhas de Satanás é justamente nos conduzir aos extremos.

Os hipócritas não entendem como as pessoas normais agem, pois eles enxergam segundo sua própria conveniência.
Para eles, é mais importante prender-se a um regulamento do que estender a mão e ajudar um sofredor.
O ser humano em necessidade, seja a pessoa que for, merece a nossa atenção acima de qualquer regra.
Precisamos entender a Palavra de Deus.
A mais correta atitude é imitar o Senhor Jesus em tudo.

Deus abençoe a todos!!


Amém!!!